Na Trincheira do Poeta

Na Trincheira do Poeta

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Prenúncio de novos tempos com o 13 de junho de 2013


Ao testemunhar o sacrífico de uma vida pela rendenção da pátria, como entendiam os seus algozes, evidente que o filtro no olhar toma o sentido mesmo do que pregou o poeta. Até que um dia você começa a registrar. Daí ser importantíssimo os fatos, eles se repetem, alguns agentes estão aí, vinte anos no poder, como se a vereança fosse profissão.  O registro não importa quanto tempo faz e sim a desfaçatez de quem fez e como fez. Ter o combustível mais caro do estado por quase um ano a fio,  significa que quem não se insurgiu, a  época  foi conivente. A frota era abastecida no município, sendo numerosa não podia os agentes políticos compactuarem com esta expropriação da população catanduvense. Não interessa se houve manifestação favorável a livre concorrência de quem quer que seja, nada disso interessava, pois fugia à razoabilidade, fugia ao senso do homem comum. Esta foi uma das mais tristes páginas que vivenciei nesta cidade que há vinte e seis anos escolhi para viver. Comprava num posto há treze anos, ás vezes pagava mensal. Quando fiz as contas e descobri que pela diferença de preço (no estado de até 0,20 centavos litro) provado por notas, havia  um utilitário zero no pátio daquele posto, somada a diferença proporcionalmente no período de abastecimento. Jamais abasteci ali. Diversifiquei os abastecimento e não fui longe,  para que o vergonhoso esquema fosse revelado. Felizmente o Dr Marcílio Dias, Vereador já havia rompido essa barreira via justiça.. Ele tomou outras atitudes de protesto público que o acompanhamento da política, as fez notória. Não se reelegeu. Não tenho procuração para sair em defesa de ninguém e nem pretendo também assaques gratuitos. Apenas registrar. "Melhor estar à margem, do que em barco que navega na nódoa fétida do jogo da esperteza  vil".

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Contemplando o Irrazoável

Você é capaz de imaginar que uma cidade fincada entre várias usinas de álcool possa ter este combustível com o preço mais caro do Estado de São Paulo. Teve por longo tempo, leia o artigo abaixo, um registro para ficar na história do ano de 2001. Temos que velar sempre como sugeriu o poeta! Da evolução do passado se faz o presente. Da negatividade, vícios que se perpetuam...!


Contemplando o irrazoável

         No início de cada ano é tempo de balanço para o comércio. Sobre nossas vidas é momento de reflexão. O contato com familiares distantes nos leva a uma volta ao passado. A defrontação com a modernidade de vários setores da cidade de São Paulo nos mostra o potencial do homem.
         Capacidade não só de construir, como o metrô que vi nascer no Jabaquara nos idos de 1969, mas também de buscar alternativa para amenizar problemas da população, como a viagem gratuita da estação Vila Madalena à Barra Funda, a título de integração daquele transporte, ou ter um familiar bem assistido, próximo de sua casa, em Pirituba, pela rede hospitalar municipal, inimaginável àquela época.
         Se muitos acontecimentos a partir do homem público nos desalentam, a constatação não é de todo ruim. Sobre a ótica do otimista, até que está bom.
         Rebatendo o plano para Catanduva, de mais notável que se pode comemorar é a erradicação da favela. A primeira que entrei na capital paulista como policial, em 1976, foi uma cena consternadora, jamais esqueci. Dezoito anos depois, ao distribuir alimentos na favela do Parque Iracema com o grupo do Comitê de Combate à Fome, muita tristeza. Meu coração se aliviou com o Eldorado.
         Haja crítica que houver, mas ali o homem resgatou a sua dignidade ao ter um endereço e direito ao mínimo de intimidade familiar, o que na favela inexiste.
         Mas nem tudo são flores...

         Decorrente da desmedida liberalidade reinante, nossa urbe, nos idos de 2001, por quase um ano teve o preço do álcool mais caro do Estado de São Paulo, com variação de até 20 centavos para mais.
         Fato comprovado por notas apresentadas ao vereador Marcílio Dias, relativas aos municípios de Guarujá, Adamantina, Rifânia, São Paulo, São José do Rio Preto, dentre outros, acompanhados de CPF e RG, com veemente colocação do nome para o rol de testemunhas de representação sobre a mais desproposital atitude comercial já deparada, em prejuízo de uma comuna.
         A impressão era de que a frota da Prefeitura abastecia em cidade vizinha. Onde abastecia? Não me pergunte. A omissão diante de tal afronta e descalabro deu azo a uma situação inusitada para uma urbe cercada de usinas.
         Por que só agora?
         Agora é o momento de reflexão e mudanças, para nosso desvalido povo.
         É, no mínimo, curioso deparar com anúncio de álcool a R$ 1,12 na capital e abastecer no posto da usina por R$ 1,17, sem falar nos preços dos postos da cidade.
         Felizmente, agora, lá na capital, vimos preços até de R$ 1,33, o que ameniza o trauma vivido do preço mais alto do Estado de 2001, porém a atitude é de alerta. Com certeza elegemos pessoas que não permitirão que isto aconteça jamais.
         Muitos são os argumentos justificativos sobre a estratégia de distribuição e outros que tais. Para corrigir isto elegemos deputados federal e estadual. A eles o dever de corrigir as estruturas erradas, desvendar estes problemas e dar satisfação aos eleitores da região.
         Restringida à área das primícias da terra, dos frutos, do leite e do mel, que jamais tenhamos a repetição de 2001.
         Que o ouro verde que cobre o quadrilátero Ribeirão Preto, Araraquara, Catanduva, Bebedouro e adjacências também seja despojado pelas populações da região com o privilégio de um preço menor pela lógica da proximidade.
         Que o cidadão catanduvense não contemple inerte o irrazoável a afrontá-lo. A evolução da comunidade depende de cada um de nós, vele pelos seus direitos.
         Assim exige a prática democrática.

Catanduva, 09 de janeiro de 2005

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sobre a Copa


Chamada do Ronaldo Fenômeno sobre a conveniência da Copa do Mundo não convence. Sob o ponto de vista do esportista o evento é bem vindo, porém quanto a prioridade de investimentos uma negação. Os desdobramentos devemos acompanhar sempre com o  olhar crítico de quem não se deixa manipular. O periférico jamais se sobreporá ao essencial. A Copa vai, os votos vão. O resultado disso tudo começará a ser novamente  manipulado pela proximidade das Olimpíadas. Assim caminha o interesse de quem quer se perpetuar no poder.

José Carlos Xavier

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Poesia



Nos caminhos do mar

A luz do luar
No balanço do mar
Dois corpos, duas vidas
A se amar
E sonhar

A inspirar
O sopro da brisa
A brisa do mar
Dois corpos, duas vidas
A caminhar

Os destinos mal sabem
E sem se preocupar
Dois corpos, duas vidas
Seguem inspirados pelos
Caminhos do mar

Ternuras e emoções
Em corações, sem razões procurar
Aos desatinos, o perdão
Do amor que caminha
Unido no lar

21/02/2013
José Carlos Xavier

        A todos os casais que se amam
Com carinho do autor
Poesia dedicada à minha esposa Ivanir Xavier

Artigo "Fim de um Ciclo"


No início de novembro viajamos com um dos filhos para o México, mais precisamente Cancun, região da Riviera Maya com suas  praias lindíssimas; o  Mayan Palace Hotel onde ficamos muito bom, ampla piscina a beira mar, floresta em volta, aconchegante e confortável.              
Fomos a Tulum um  sítio arqueológico correspondente a uma antiga cidade na muralha,.com as  suas ruínas: a história dos maias ali presente. Fomos também à  Praya Del Carmen, muito bem indicada. 
  Quanto ao social, a periferia de Cancun não foge regra de algumas cidades brasileiras, muita pobreza. No aspecto segurança, vimos   armamento pesado em viaturas grandes circulando de forma ostensiva no perímetro urbano; nas estradas,  sacos de  areia protegendo as bases rodoviárias e os policiais em posição de alerta, quando não de tiro mesmo que contrastava com a beleza da região.
  Inevitável comparar o que vi e senti com a expectativa da Copa do Mudo no Brasil, uma vez que aqui como lá campeia a criminalidade selvagem sob o comando de traficantes.
  Era do meu conhecimento a ação do tráfico, entretanto quando se vê, tanta arma e dispositivos defensivos, difícil não lembrar o que se passa por aqui. Os últimos acontecimentos foram horríveis. Manifestantes encapuzados praticando crimes sob o manto da impunidade, afrontam o estado de direito, os valores democráticos  e ficam impunes.
  Os jornais desta semana registram 50.108 assassinatos, número que superou 2012, e o índice só aumenta. Somado a 40.OOO  mortes no trânsito, temos 90.000, para agravar o país é campeão mundial de óbitos juvenil no trânsito e os homicídios até trinta anos, consistem na maioria.
  Não dá para mudar tudo isso em um ano, sem contar que a corrupção e a desídia na administração pública só aumentam, é só abrir os jornais para constatar. Na semana que passou foi muito comentada a estratégia protocolar para se aprovar o aumento do IPTU em São Paulo que foi submetido a justiça e suspenso.
  O um milhão de pessoas nas ruas em junho decretou o fim do ciclo iniciado em 1985.  Primeiro foram os vinte anos de militarismo, agora a população nas ruas disse que repudia a estratégia atual e pede reformas.
  A política equivocada pela contumaz identificação de grupos minoritários e a proteção governamental descabida que eles próprios às vezes repudiam, estimulando o rancor entre as pessoas. O ranço contra os militares, expresso pela Comissão da Verdade, sepultou temporariamente um traço positivo do perfil do  brasileiro, a tolerância entre as mais diversas nações  que imigraram e foram sempre muito bem ceitas.     
  Amor  palavra milagrosa  da qual deriva todas as outras virtudes. Que a ela cada um acrescente a sua fé e um cadinho de tudo que fortaleça o caráter. Esta é a mudança que haverá de acontecer.
  Chega de violência; menos corrupção; menos manipulação do povo humilde de nosso país, da exploração da classe  produtiva;   privilégios de políticos; impunidade  daqueles indivíduos  que praticam crimes da pior espécie, agredindo autoridades e depredando o patrimônio público e particular.
  Fosse possível,  os donos do poder teriam mudado o superficial urgentíssimo para cacifar votos, depois de junho; não deu, expirou o prazo. A  rejeição da PEC-37, um bom sinal da ação nas ruas.
  Terminou o ciclo militar há vinte e cinco anos, porque não haverá de terminar o ciclo dos subversivos e terroristas. Vai ser no voto.
Milhões estão se comunicando pelas redes. A corrupção, a violência, a impunidade, os privilégios como munição.
  Muda Brasil urgente, é o anseio de todos!!!

Catanduva, 08 de novembro de 2013

José Carlos Xavier

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Democracia x Dinastia


Se o efeito defectivo do que mais temos de excelência na condução dos povos incidir na sua cidade ou estado, interaja no blog. Em 30 dias remeteremos a síntese a quem interessar possa.

Abraços

Xavier


"O amor resume todas as virtudes" (Xavier)
Foto: Ipês floridos em Catanduva/SP

Democracia x Dinastia

A história da evolução dos direitos dos povos através dos tempos é fascinante. Desde a Grécia Antiga, o berço da democracia pelos conceitos difundidos por grandes pensadores, tendo como o mais conhecido de todos Sócrates, e não menos importante Platão e Aristóteles. Em outras paragens a dinastia, regime onde o poder é transmitido no seio da família, sendo as mais conhecidas e famosas as egípcias, há mais de mil anos antes de Cristo.
A democracia tem momentos épicos e referenciais, como o capítulo de João Sem Terra na Inglaterra, porém o marco fundamental acontece com a Revolução Francesa, com a ebulição de grandes pensadores que ordenam seu ideário e como conseqüência lutas e mais lutas de conquistas com o intuito subjugar outros povos.
O ideário e a espada, dois trunfos para conquistas duradouras a privilegiar os povos que as desenvolviam, em tempos que as riquezas se buscavam pelo domínio dos espaços e dos gentios.
Demolido o muro de Berlim, emblemático episódio dos tempos modernos, tivemos a sensação do sepultamento da mais recente manifestação do pensamento ditatorial via sindicato, que ultrapassou fronteiras, após o êxito da revolução bolchevista em campos russos, tendo na garupa os anarquistas.
Há na literatura relato da utilização da riqueza dos czares, nos núcleos de divulgação das novas idéias proletárias. O ouro subtraído era argumento de convencimento circulando em malas. Lamarca tinha uma em Registro com que comprava alimentos e a mente dos camponeses para a adesão à guerrilha rural. As mesmas malas que até hoje compram consciências mundo afora. Na última década se tornou tão corriqueira a conduta que em período eleitoral todos sabem aqueles quem buscam as alças delas. Basta olhar ao nosso redor.
Voltando ao tema, ao terminar o III Ciclo da Escola Superior de Guerra, cursado em São José do Rio Preto, visitamos Itaipu, obra gigantesca, binacional que deu ao país sustentação energética por décadas. Na volta, longa viagem e numa daquelas conversas interessantes de fim de curso, eis que alguém contra-argumentou a análise que fazíamos sobre alguns aspectos da democracia que nascia: “Não é bem assim; se olharmos com atenção veremos que das capitanias hereditárias restaram muitas famílias que ainda mandam no país”.
Evidente que naquele momento de descontração turística não forçamos a memória à época das capitanias, porém foi fácil constatar alguns caciques: Sarney, Magalhães, Maciel, Maluf, e enumeraríamos uma ou duas famílias por estado, pouco mais de treze como a tese defendida pelo interlocutor.
Mesmo na América do Norte, a repetição de nomes em família; de artistas pela exposição na mídia, por aqui está se tornando moda os boleiros, ainda bem que de participação fugaz. O pior é que a introdução de novas lideranças se dá pela riqueza e não pelo exercício dos dons da cidadania. Tivemos até pai e filho na presidência das casas legislativas, ao mesmo tempo.
E nos campos do Cerradinho corre mala de dinheiro também? Quantas estórias as esquinas contam e as histórias registradas na grande imprensa que o povo não lê e quem lê se faz de esquecido. Tem político profissional que sempre luta com unhas e dentes pelo aumento de seu salário e de funcionários parlamentares e convence os não profissionais (!?) a gozar das benesses.
Ao leitor, a meditação de que entre tantas contradições, o conceito de que a verdadeira revolução se dá indivíduo a individuo pelo enriquecimento do seu referencial de conhecimento geral e da incorporação de valores positivos de convivência humana.
Há luz no fundo do túnel, vemos isto em vários aspectos, o de maior alento a intensificação da comunicação. Sabemos que muitas câmaras começam revogar absurdos: lei do nepotismo; aumento desregrado do número de cadeiras e de assessores etc. Não vai longe aqui perto: Pindorama e acolá. A democracia direta há de chegar!
Podemos quase tudo, só depende de nós. Tem que participar: seja com democracia, dinastia ou monarquia, e até mesmo anarquia. A essência são os seus valores. Manipuladores, inescrupulosos, arbitrários sempre haverá. Eles diminuirão a partir do momento que o seu interior, leitor, repelir, impedir que você aja da mesma forma.
Do indivíduo constitui o estado, a nação, a sua comunidade, o seu bairro, de você e de quem está ao seu lado, agora. Felizmente a roda social gira no sentido de um futuro evolutivo: assim, pela educação e esclarecimento, ditadores, quer sejam militares, quer sejam terroristas ou mesmo   anarquistas, eles terão seus conceitos e fonte motivadora revistos e  adequados ao futuro que suscitarmos aos  corações e mentes das  novas gerações.
Chega de retórica repetitiva, chega da mesmice, chega de malas e privilégios, chega de donos de partido, cada dia a fundar mais um!

José Carlos Xavier


Catanduva, 25 de janeiro de 2012