Na Trincheira do Poeta

Na Trincheira do Poeta

domingo, 28 de junho de 2015

Viela da Meditação


Aos doze anos, órfão há um, no qual cursei a terceira série  primária, segui para o seminário, onde   não podia entrar pois não completara o primário para fazer a admissão ao ginásio. Ante as ponderações de meu pai, o Reitor Padres Chaves concedeu três meses de experiência, caso acompanhasse o curso seguiria e assim foi que fiquei dois anos. Na primeira série ginasial, fui bem e por isso recebi ao final um mimo pela colocação alcançada. Viajei de férias entusiasmado. Porque não voltei, então? A  dúvida da vocação;  meu pai havia se casado novamente e ganhara três enteados; o amava e pensava em ajudá-lo  e preponderante esta: havia recebido um enxoval completo e  perdera o contato com a doadora, assim não tinha roupas compatíveis e nem como comprá-las.
No seminário havia um viela que ficava num recanto  arborizado, onde por algumas vezes me vi a meditar em toda uma vida futura. A dúvida mais aguçada era entre o celibato e constituir família, nestes momentos conversava intimamente com Nossa Senhora do Síão, ali em São Sebastião do Paraiso. Caso não seja Padre, dê-me uma mulher que me ame e um emprego fixo para que não viva a  perambular de um lado a outro, muito menos a sofreguidão do desemprego.
Jamais, me apartei deste pedido até alcançá-lo. No dia 22 de abril de 1972 em uniforme de gala e ela de longo nos conhecemos no Clube Pinheiros em São Paulo. Feliz noite, felizes foram todos os dias e todas as noites ao seu lado. Com o seu perfil inabalável e personalidade ímpar, somamos; só somamos. Leitores um câncer fulminante a venceu em quatro meses. Aos primeiros raios do dia 26, sexta-feira despediu-se da vida terrena. Descanse em paz quem me fez  feliz. Hoje, ainda em luto e profundo pesar, confesso esta projeção adolescente de futuro. Agradeço ao Senhor pelas graças recebidas em vida, aos nossos propósitos renovados diariamente em comunhão com ela. Pela sua   fé e obras que seja contemplada com a glória Eterna, porque viveu para amar e servir. Que o Senhor seja louvado para sempre louvado seja.
Aos leitores deste blog que a paz celestial amaine todas as vossas e as minhas agruras desta vida terrena. Àqueles que elevaram seus pensamentos em pedidos pela saúde dela: Ivanir Arão Xavier  que se foi, a minha solidariedade amorosa, pois só o amor é capaz de acalentar nossos corações e alma neste momento de luto. Bom dia a todos em oração. 

Um comentário:

  1. É triste que toda bela história tenha um fim. Feliz de quem acredita que é apenas o fim de um capítulo.

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