Na Trincheira do Poeta

Na Trincheira do Poeta

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Registros memoráveis (reedição)

CONSTATAÇÕES ATUAIS - As eleiçoes vem aí!

Registrei e continuarei registrando os absurdos praticados por políticos que assumem o poder com ar  absolutos de déspotas e através de poderes legislativos fracos e comprometidos com o continuísmo e o alcance de lances mais altos se deixam levar por conchavos em prejuízo da legitima e autêntica democracia. Onde está a razoabilidade do aumento do número de vereadores para 13, se ninguém sentiu a diferença da diminuição de 17 para 11, assim como, o aumento de assessores se o último governo deu um show a parte de como governar uma cidade? É sobre isso que temos que refletir. Cada tostão que sai do cofre é dinheiro que deixa de ser empregado em: saúde, segurança e educação. Dinheiro não dá em árvore ele é resultado do suor do trabalhador. Acorda Brasil!


Democracia: 

Confidências cidadãs I



Luís Mir, médico, pesquisador e historiador que defende a tese de que o país vive numa Guerra Civil, em atualíssima obra, desnuda as entranhas do poder, revelando dados atordoantes e cotejando conceitos, a revelar o cinismo do poder estatal em relação à realidade pátria.
Relevante a afirmação ao falar do equilíbrio de gabinete: “consultas e acordos entre lobbies, associações profissionais, interesses econômicos e, em geral, o entendimento cordial do que se chama a classe política geram um equilíbrio de gabinete, cuja base é desconhecida ou mesmo secreta (Roseneau, 1992); de índole mais ou menos corporativistas, impulsos legiferantes difusos (Conotilho, 1986), que os grupos parlamentares não ousam pôr em causa; ‘O compromisso toma lugar da razão’ (Habermas, 1984) e já ninguém é responsável pelo interesse coletivo, tornando largamente fictício o conceito de representação parlamentar, um dos pilares do princípio da legalidade”. A propósito de todo o entendimento resultante dos conceitos acima, temos a assunção de José Sarney ao poder, primeiro presidente civil após 1964.
Entretanto, pelo simbolismo do dia do palanque das “Diretas Já”, ficou esta como símbolo marco de resistência. Assim vejo oportuno aprofundar a discussão porque ninguém pode dizer tudo o que pensa, até mesmo porque deve pensar sobre o que diz, senão perdem-se a lógica e o fundamento. Porém, uns podem mais, outros menos; é circunstancial.
De minha parte posso dizer que me lembro de Sampaio, nos idos de 1963, um camponês ativo a difundir entre os lavradores conceitos jamais vistos de insurgência no campo. Do alto do caminhão do “pau de arara”, jovens ficavam atônitos com as notícias das indenizações e de proprietários rurais se desfazendo de seus empregados, às pressas, para se livrarem de pendengas tais. Logo mais, já em Brasília (1966), na rampa do Planalto, orgulhosamente prestava honras militares ao Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco; foram muitas vezes. Sua figura, impoluta a passar um sentimento de esperança, reflexo de um passado recente que foi a brilhante atuação das Forças Armadas, em campos de Itália.
Ao mesmo tempo que periódicos e rádios anunciavam a moralização do serviço público pelo ingresso somente por concurso, antinepotismo, a relação daqueles encantados pelos assovios da sereia, mentores do incauto camponês, a aterrorizar a todos, a partir da máxima de que os fins justificam os meios, mesmo que seja pela violência e sacrifícios de vidas, era divulgada com a decretação de seus exílios.
Já em São Paulo, 1970, os efeitos do terror; os Sampaios já não bastavam, sentinelas assassinadas friamente, ordens para não andar fardado, colegas a paisana identificados por documentos e sacrificados, não se sabe se por homens comuns ou politizados terroristas, recaindo sobre estes as suspeitas, por não ser comum à época tal deslinde.
A ronda bancária, no itinerário Bom Retiro, Lapa, Pinheiros, era específica a antiterror; no banco de trás do lado direito (de metralhadora em punho) sempre o mesmo sentinela de Castelo Branco, a campear aqueles que matavam inocentes em assaltos a bancos para angariar fundos para a guerrilha urbana e rural que espalhava medo em toda sociedade brasileira. Na cidade de Registro, nova contenda, esta para valer, frente a frente com Carlos Lamarca. Emboscada, tiros, feridos, reféns e o sacrifício de mais uma vida, tudo em nome de “O Capital”. Os fins justificam os meios, mesmo que violentos.
Diretas Já: a grande mentira – No dia representativo da democracia, o tenente, não mais soldado, desceu as escadas do metrô em sentido contrário ao da massa. Os líderes, rodeados pela sua claque de artistas renomados. Empresas fechadas, Estado parado, o município parado, o metrô de graça e os artistas, expoentes, todos a cantar, e o povo subia as escadas com os olhos esbugalhados de esperança. Falsidade, bastava ler os jornais mais sérios para saber que já estava tudo delineado, agendado mesmo: haveria  eleições  indiretas, e os militares garantiriam a posse do eleito. Mas os fins justificam os meios. Mentir e iludir a massa, até que é meio sem dor física. Pão e circo, já diziam os romanos. Insurgir contra o poder constituído representado pela polícia que se chama militar, tirar foto ao lado de operário sob a mira de cassetete, ser preso, comer a boia do DEOPS, pode me render muitos frutos políticos.

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