Na Trincheira do Poeta

Na Trincheira do Poeta

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Encanto de criança!


Naquele dia do enlace, tudo foi especial.




Ao narrar os fatos destes anos de minha vida o faço  por um sentimento forte que me impulsiona a retratar de situações que deixaram rapidamente de existir. O êxodo rural que se viu em seguida no Estado de São Paulo pos abaixo esta maneira de vida com o advento do bóia fria no pau de arara. Condição de trabalho inóspita de muito sacrifício para sobreviver e de muita exploração pelo produtor.
A caminho da Santana do Estreito vi o sumiço temporário da cachorra de estimação que se atrelou aos cães dos caçadores e só chegou em casa lá pelas tantas da noite, apesar do hábito de acompanhar a carroça. Participei de uma reunião de meninos para saborear caçarola italiana, quando fui orientado pelo pai para não exagerar que desmaiaria. Mais tarde soube de crianças que tinham mesmo este sintoma por subnutrição. Cautela não faz mal a ninguém. Outras situações e fatos ficam para a despedida daquele rincão.


Encanto de criança!

Naquele dia do enlace, tudo foi especial;
Desde a companhia e transporte até o final.
Enquanto sempre me deslocava de carroça,
Ou a pé quando  levava o almoço  na roça.
No casamento fui com os tios de charrete,
Poucos haviam na época, carro e camionete.
Lá fui  alegre pela  expectativa da festança,
Pensava na comida, também  haveria dança.

No caminho por aqueles campos e matas,
O orvalho no amanhecer escorria em cascatas.
Lindos arbustos, deveras, paisagem verdejante,
De longe, pássaros  e  ciriemas, vê o viajante.
Tenra idade que será desse dia, o tio por guia,
Fui só,  de carona, separado da minha família.

Alfio e Toninha se uniram em casamento,
Dia especial na vida, como  vai  pensamento.
De um canto observo tudo e de súbito olhar,
Linda, esguia fico de olhos fixos  a admirar.
No degrau estática posa altiva a moreninha,
Inevitável o pensamento como será a minha.


O projetar da imaginação em tão ínfima idade,
Estímulos  entrelaçam, projetam a maioridade.
Ali estava por um motivo familiar coloquial,
Ao menino, assistir primeiras núpcias,  especial.
Lugar  comum, casamento,  um dia vai acontecer,
Nada de excepcional, o menino espectador antever.
Ficou na mente candidamente aquela lembrança,
A silhueta daquela moça linda, encanto de criança.



Tantas são as histórias que algumas já foram registradas em outros escritos. A do casamento repeti em minha vida, pois foi uma emoção indelével,  a de  fixar olhar em alguém e projetar o futuro.  Me casei aos 29 anos com uma jovem esbelta, porém ruiva. Nos divertíamos muito com as lembranças de criança dos momentos especiais em nossas vidas. Ela também caboclinha das bandas de Elisiário, cultura e hábitos semelhantes, tinha as suas. Que o Senhor a tenha em sua glória e reconforte quem nesta dimensão ficou, derramando suas infinitas graças sobre nós.   Um bom domingo a todos na Paz de Cristo!

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