Na Trincheira do Poeta

Na Trincheira do Poeta

sábado, 21 de novembro de 2015

Uma cena inspiradora!

 Lembro-me bem deles sentados e ela de pé,  a ler toda garbosa.

Senti ali, naquele momento uma energia a perpassar o corpo querendo dizer - é isto que vais fazer  em tua vida - ler para os outros e para isso precisas estudar.


Já citei a prima Zezé e agora também o primo Luiz. Estas duas pessoas fazem parte de forma especial de minha vida, tanto que são meus padrinhos de casamento.
A primeira  citada por trabalhar num restaurante onde na época entregava,  semanalmente ovos. O segundo por ser três anos mais velho e residir com a avó paterna  Inocência. A  ele acompanhava em jogos de futebol da meninada e outras brincadeiras de rua.
Num dia, presenciei   reunidos  meu pai e tios, enquanto a prima solenemente, ali naquela sala, leu a eles uma carta ou documento não consigo precisar. Lembro-me bem deles sentados e ela de pé  a ler toda garbosa numa postura compatível à importância de quem naquela época, dentre os caboclos colonos, era alfabetizada.
Esta cena é inspiradora, jamais a esqueci pelo seu significado para mim. Senti ali, naquele momento uma energia a perpassar o corpo querendo dizer - é isto que vais fazer  em tua vida - ler para os outros e para isso precisas estudar.
Cinco anos  depois, em razão da morte de minha mãe, convidado que fora quando ela ainda em vida, ingressei no Seminário e aos 24 na Academia da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Certamente não estudei tanto como o senti naquele dia, mas vontade não me faltou.
Hoje, sinto-me muitíssimo bem ao escrever estas linhas, após a carreira militar onde alcancei o oficialato em seu último posto, com especialização em Educação Física e Advogar por mais de 10 anos, em Catanduva.
Não tenho dúvida de que jamais me apartei daquela sensação e a curti a cada momento que me vi sentado num banco escolar; e mais ainda nos atos de comando, principalmente nas instruções e na defesa de pessoas, no rito do cerimonial forense como advogado.
Leitores dominicais, um espaço aberto antes de me despedir daqueles lindos cafezais dos Tostes, pois daquela leitura aos familiares e de minha reação jamais esqueci, assim como da convivência do querido primo, órfão em tão tenra idade, o que iria acontecer, comigo e irmãos, mais a frente.
Despeço-me com a emoção própria de quem fala de pessoas queridas e de ocasiões especiais da vida. É bom assim. Compartilho-a com todos leitores que certamente tem os seus momentos semelhantes. Que o Senhor seja louvado, para sempre louvado seja. Um bom domingo a todos  na paz de Cristo.

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