Na Trincheira do Poeta

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Síndrome do II Impeachment

Gatos do mesmo Balaio!

Com mais de 30 partidos e a cada semestre surgido mais um, aonde chegaremos? Certo é  que há um misto de arbitrariedade, devassidão e anarquia nas hostes do poder, entretanto importa mesmo  é a manutenção  dele. Se alguém tiver dúvida disso é porque tiraram filosofia do currículo escolar, prejudicando o pensar lógico. Vejam só, notícia de hoje: “o Brasil ocupa o 38 lugar entre 44 países, avaliados 85 mil estudantes” - quanto ao raciocínio  na apreciação lógica  da habilidade relacionada a questões práticas do cotidiano. É isso aí! Povo ignorante e governo corrupto. Uma receita que se ajusta por longo tempo, lá se vão 12 anos.

                  

Artigo publicado no “O Regional”
Catanduva, 7 de março de 2013


 Síndrome do II Impeachment

A Lei de Anistia é um marco divisor em que se deu o início da predominação do modo anárquico de se viver no Brasil. Ela é de 28 de agosto de 1979 e decorreu de 15 anos de intensa militância de ativistas de esquerda que se insurgiu contra tudo que representasse ordem, símbolo do militar.
Apesar dos princípios da administração militar servir de referência à evolução histórica da administração geral, como a unicidade de comando e descentralização da execução, o mote no caso era: depreciar para derrotar e substituir.
Surgindo como uma esperança, numa região pobre com uma mensagem moralizadora da imolação dos marajás, Fernando Collor; eleito, foi cassado com ação nas ruas, ironicamente pela prática de corrupção na administração pública em 1992.
Passados treze anos do seu bota fora, graves denúncias recaem sobre os mandatários de plantão, tão ou mais escandalosas do que as praticadas pelo deposto presidente, por envolver a compra de apoio político em votações no Congresso Nacional, em favor dos projetos do Executivo.
Desta vez, forte e eficiente claque de plantão imunizou o mandatário maior como fiéis sentinelas e até o acusador se rendeu, não se sabe por que; possível imaginar que na tentativa de salvar a própria pele.
Fernando Collor herdou um nome de expoente político; não estava no palanque das Diretas, foi presa fácil. Ante às medidas impopulares e vitória imposta ao operário metalúrgico, ao descuidar-se da lisura administrativa, ímprobo, foi deposto. Ainda sob a emulação da recente movimentação das Diretas Já, populares, dentre eles os jovens motivados pela turma do palanque, pintaram a cara e foram às ruas.
Em 2005, filiado e compondo uma delegação regional, compareci num congresso do Partido Social Democrata Brasileiro. Num Anhembi lotado, não vi outro representante de Catanduva. Um trabalho de fôlego, muito bem planejado, temas interessantes e dinâmica participativa com extensa pesquisa de opinião individual sobre assuntos atuais. Em síntese, ao final, falou-se sobre as coisas de São Paulo, sobre sustentabilidade, Segurança Pública, ante o aumento dos índices de crimes graves no estado. Entretanto a tensão maior na Assembléia era saber das providências sobre o mensalão.
Para decepção da maioria, creio que a questão foi contemporizada porque entendiam que o enfraquecimento dos envolvidos pelas graves acusações resultaria num clima desfavorável aos adversários que proporcionaria a vitória nas urnas, dispensando-se a via do impeachment da qual demonstraram temor e insegurança.
Como num jogo de xadrez, pareceu a mim que a capitulação do rei poderia provocar um estado de confusão na mente das pessoas a concluir que as Diretas e a deposição de Collor não tinham compensado, e como era cíclico no país, a substituição dos civis por militares, eles abortaram esta via.
Sob esta ótica, a estratégia deu certo, melhor perder a eleição para um partido de corruptores (parte dele hoje condenados, felizmente) do que correr o risco de desestabilizar de modo insustentável o poder constituído.
Pelo menos o STF amenizou a indignação reinante entre os mais simples correligionários ali presentes; resta desfazer a farsa de que o rei nada sabia, incluindo-o no rol dos culpados.
Se recuar em política, mesmo ante o risco de seguidas derrotas, é precaução que se justifique ou receio que se condene; deixo aos políticos o julgamento.
Quanto a mim, prefiro o conceito de mudança da sociedade pelo método evolutivo que condena a máxima de que “os fins justificam os meios” defendido pelos bolchevistas e anarquistas e adotado por seus seguidores em solo pátrio.
O pensamento lógico e os fatos nos levam à incontestável conclusão: se pelo voto a administração civil substituiu a militar, pelo mesmo método políticos honestos hão de substituir os desonestos; até porque parte da liderança deles felizmente já foi condenada.
A tripartição do poder é um dos pilares da democracia, comprovou o STF ao condenar os agentes do mensalão.


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